LEI Nº 11.484, DE 31 DE MAIO DE 2007
DOU 31/05/2007
Dispõe sobre os incentivos às indústrias de
equipamentos para TV Digital e de componentes eletrônicos semicondutores e
sobre a proteção à propriedade intelectual das topografias de circuitos
integrados, instituindo o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da
Indústria de Semicondutores – PADIS e o Programa de Apoio ao Desenvolvimento
Tecnológico da Indústria de Equipamentos para a TV Digital – PATVD; altera a
Lei no
8.666, de 21 de junho de 1993; e revoga o art. 26 da
Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço
saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
CAPÍTULO I
DO APOIO AO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DA INDÚSTRIA
DE SEMICONDUTORES
Seção I
Art. 1o Fica instituído o Programa de
Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores – PADIS,
nos termos e condições estabelecidos por esta Lei.
Art. 2o É beneficiária do
Padis a pessoa jurídica que realize investimento em Pesquisa e Desenvolvimento
- P&D na forma do Art. 6º e que exerça isoladamente ou em conjunto, em
relação a:(Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012)
I – dispositivos eletrônicos semicondutores classificados nas posições 85.41 e 85.42 da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, as atividades de: (Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012)(Alterado pelo art. 48 da Medida Provisória nº 563, DOU 04/04/2012)
a) concepção,
desenvolvimento e projeto (design);
b) difusão ou
processamento físico-químico; ou
c) corte, encapsulamento e teste;
II – mostradores
de informação (displays) de que trata o § 2o deste artigo, as
atividades de:
a) concepção,
desenvolvimento e projeto (design);
b) fabricação dos elementos fotossensíveis, foto ou eletroluminescentes e emissores de luz; ou
c) montagem final do mostrador e testes elétricos e ópticos.
III - insumos e equipamentos dedicados e destinados à fabricação dos produtos
descritos nos incisos I e II do caput, relacionados em ato do Poder
Executivo e fabricados conforme Processo Produtivo Básico estabelecido pelos
Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência,
Tecnologia e Inovação.(Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012)
§ 1o Para efeitos deste artigo, considera-se que a
pessoa jurídica exerce as atividades:
I – isoladamente, quando executar todas as etapas previstas na alínea em que se enquadrar; ou
II – em conjunto, quando executar todas as atividades previstas no inciso em que se enquadrar.
§ 2o O disposto no inciso II do caput deste artigo:
I – alcança os mostradores de informações (displays) relacionados em ato do Poder Executivo, com tecnologia baseada em componentes de cristal líquido - LCD, fotoluminescentes (painel mostrador de plasma – PDP), eletroluminescentes (diodos emissores de luz – LED, diodos emissores de luz orgânicos – OLED ou displays eletroluminescentes a filme fino – TFEL) ou similares com microestruturas de emissão de campo elétrico, destinados à utilização como insumo em equipamentos eletrônicos;
II – não alcança os tubos de raios catódicos - CRT.
§ 3o A pessoa jurídica de que
trata o caput deste artigo deve
exercer, exclusivamente, as atividades previstas neste artigo.
§ 4o O investimento em pesquisa e
desenvolvimento referido no caput e o exercício das atividades de que
tratam os incisos I a III do caput devem ser efetuados de acordo com projetos
aprovados na forma do Art. 5º.(Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012)
§ 5º O disposto no inciso I do caput alcança os dispositivos eletrônicos semicondutores, montados e encapsulados
diretamente sob placa de circuito impresso - chip on board, classificada no
código 8523.51 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos
Industrializados - TIPI.(Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012) (Alterado pelo art. 20
da Lei nº 12.249, DOU 14/06/2010) (Alterado pelo art. 20 da Medida Provisória nº 472, DOU
16/12/2009)
(Alterado pelo art. 48 da Medida Provisória nº 563, DOU
04/04/2012)
Seção II
Da Aplicação do Padis
Art. 3o No
caso de venda no mercado interno ou de importação de máquinas, aparelhos,
instrumentos e equipamentos, para incorporação ao ativo imobilizado da pessoa
jurídica adquirente no mercado interno ou importadora, destinados às atividades
de que tratam os incisos I a III do caput do art. 2º desta Lei, ficam reduzidas
a zero as alíquotas: (Alterado
pelo art. 20 da Lei nº 12.249, DOU 14/06/2010) (Alterado pelo art. 6º da Medida Provisória nº 428, DOU
13/05/2008) (Alterado pelo art. 6º da Lei nº 11.774, DOU 18/09/2008)
I – da
Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio
do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social – COFINS incidentes sobre a receita da pessoa jurídica
vendedora quando a aquisição for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do
Padis;
II – da
Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação quando a
importação for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do Padis; e
II – do
Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, incidente na importação ou na
saída do estabelecimento industrial ou equiparado quando a importação ou a
aquisição no mercado interno for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do
Padis.
§ 1o As reduções de alíquotas previstas no caput deste artigo alcançam também as
ferramentas computacionais (softwares) e os insumos destinados às atividades de
que trata o art. 2o desta Lei quando importados ou adquiridos
no mercado interno por pessoa jurídica beneficiária do Padis.
§ 2o As disposições do caput e do § 1o deste artigo alcançam
somente os bens ou insumos relacionados em ato do Poder Executivo.
§ 3o Fica reduzida a 0 (zero) a alíquota da
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE destinada a financiar o
Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação
de que trata o
art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000,
nas remessas destinadas ao exterior para pagamento de contratos relativos à
exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e
prestação de assistência técnica, quando efetuadas por pessoa jurídica
beneficiária do Padis e vinculadas às atividades de que trata o art. 2o
desta Lei. (Vigência)
§ 4o Para efeitos deste artigo,
equipara-se ao importador a pessoa jurídica adquirente de bens estrangeiros no caso
de importação realizada por sua conta e ordem por intermédio de pessoa jurídica
importadora.
§ 5o Conforme
ato do Poder Executivo, nas condições e pelo prazo nele fixados e desde que
destinados às atividades de que tratam os incisos I a III do caput do art. 2º
desta Lei, poderá também ser reduzida a zero a alíquota do Imposto de
Importação - II incidente sobre máquinas, aparelhos, instrumentos,
equipamentos, ferramentas computacionais (software), para incorporação ao seu
ativo imobilizado, e insumos importados por pessoa jurídica beneficiária do
Padis.(Alterado pelo
art. 20 da Lei nº 12.249, DOU 14/06/2010) (Alterado pelo art. 20 da Medida Provisória nº 472, DOU
16/12/2009)
§ 6o O disposto nos arts. 17 e 18 do Decreto-Lei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no Decreto-Lei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos do § 5º.(Incluído pelo art. 23 da Lei nº 12.767, DOU 28/12/2012)
Art. 4o Nas vendas dos dispositivos referidos nos incisos I a
III do caput do art. 2º desta Lei, efetuadas por pessoa jurídica beneficiária
do Padis, ficam reduzidas: (Alterado
pelo art. 20 da Lei nº 12.249, DOU 14/06/2010)
I – a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da
Cofins incidentes sobre as receitas auferidas; (Vigência)
II – a 0 (zero) as alíquotas do IPI incidentes
sobre a saída do estabelecimento industrial; e (Vigência)
III – em 100% (cem por cento) as alíquotas do
imposto de renda e adicional incidentes sobre o lucro da exploração. (Vigência)
§ 1o As reduções de alíquotas previstas nos incisos
I e III do caput deste artigo
aplicam-se também às receitas decorrentes da venda de projeto (design) quando
efetuada por pessoa jurídica beneficiária do Padis.
§ 2o As reduções de alíquotas previstas nos incisos I e II do caput
deste artigo relativamente às vendas dos dispositivos referidos nos incisos II
e III do caput do art. 2º desta Lei aplicam-se somente quando as atividades
referidas nas alíneas a ou b do inciso II e no inciso III do caput do art. 2º
desta Lei tenham sido realizadas no País. (Alterado pelo art. 20
da Lei nº 12.249, DOU 14/06/2010)
§ 3o Para usufruir da redução de alíquotas de que
trata o inciso III do caput
deste artigo, a pessoa jurídica deverá demonstrar em sua contabilidade, com
clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e
resultados do período de apuração, referentes às vendas sobre as quais recaia a
redução, segregados das demais atividades.
§ 4o O valor do imposto que deixar de ser pago em
virtude da redução de que trata o inciso III do caput deste artigo não poderá ser distribuído aos sócios e
constituirá reserva de capital da pessoa jurídica que somente poderá ser
utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social. § 5o
Consideram-se distribuição do valor do imposto:
I – a
restituição de capital aos sócios em caso de redução do capital social, até o
montante do aumento com a incorporação da reserva de capital; e
II – a partilha
do acervo líquido da sociedade dissolvida até o valor do saldo da reserva de
capital.
§ 6o A inobservância do disposto nos §§ 3o
a 5o deste artigo importa perda do direito à redução de
alíquotas de que trata o inciso III do caput
deste artigo e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o
imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, acrescido de juros e
multa de mora, na forma da lei.
§ 7o As reduções de alíquotas de que trata este
artigo não se aplicam cumulativamente com outras reduções ou benefícios
relativos aos mesmos impostos ou contribuições, ressalvado o disposto no inciso
I do caput deste artigo e no §
2o do art. 17 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de
2005.
Seção III
Da Aprovação dos Projetos
Art. 5o Os projetos referidos no § 4º do Art. 2º devem ser aprovados em ato conjunto dos Ministros de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos termos e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012)
§ 1o A aprovação do projeto fica condicionada à
comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica interessada em relação
aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal
do Ministério da Fazenda e pela Secretaria da Receita Previdenciária do
Ministério da Previdência Social.
§ 2o O prazo para apresentação dos projetos é de 4 (quatro)
anos, prorrogável por até 4 (quatro) anos em ato do Poder Executivo.
§ 3o O Poder Executivo estabelecerá, em
regulamento, os procedimentos e prazos para apreciação dos projetos.
Seção IV
Do Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento
Art. 6o A pessoa jurídica
beneficiária do Padis referida no caput do art. 2o desta Lei
deverá investir, anualmente, em atividades de pesquisa e desenvolvimento a
serem realizadas no País, no mínimo, 5% (cinco por cento) do seu faturamento
bruto no mercado interno, deduzidos os impostos incidentes na comercialização
dos dispositivos de que tratam os incisos I e II do caput do art. 2o desta Lei e o valor das
aquisições de produtos incentivados nos termos deste Capítulo.
§ 1o Serão admitidos apenas investimentos em
atividades de pesquisa e desenvolvimento, nas áreas de microeletrônica, dos
dispositivos mencionados nos incisos I e II do caput do art. 2o
desta Lei, de optoeletrônicos, de ferramentas computacionais (softwares) de
suporte a tais projetos e de metodologias de projeto e de processo de
fabricação dos componentes mencionados nos incisos I e II do caput do art. 2o
desta Lei.
§ 2o No mínimo 1% (um por cento) do faturamento
bruto, deduzidos os impostos incidentes na comercialização na forma do caput deste artigo, deverá ser aplicado
mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades
brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas, credenciados pelo Comitê da
Área de Tecnologia da Informação – CATI, de que trata o art. 30
do Decreto no 5.906, de 26 de setembro de 2006, ou pelo Comitê das
Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia – CAPDA, de que trata o
art. 26 do Decreto no 6.008, de 29 de dezembro de 2006.
§ 3o A propriedade intelectual resultante da
pesquisa e desenvolvimento realizados mediante os projetos aprovados nos termos
deste Capítulo deve ter a proteção requerida no território nacional ao órgão
competente, conforme o caso, pela pessoa jurídica brasileira beneficiária do
Padis.
§ 4º O Poder Executivo fixará
condições e prazo para alteração do percentual previsto no caput, não
inferior a 2% (dois por cento).(Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012) (Alterado pelo art. 48 da Medida Provisória nº 563, DOU
04/04/2012)
Art. 7o A pessoa jurídica
beneficiária do Padis deverá encaminhar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, até
31 de julho de cada ano civil, os relatórios demonstrativos do cumprimento, no
ano anterior, das obrigações e condições estabelecidas no art. 6o
desta Lei.
Art. 8o No caso de os investimentos
em pesquisa e desenvolvimento previstos no art. 6o
desta Lei não atingirem, em um determinado ano, o percentual mínimo fixado, a
pessoa jurídica beneficiária do Padis deverá aplicar o valor residual no Fundo
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT (CT-Info ou CT-Amazônia),
acrescido de multa de 20% (vinte por cento) e de juros equivalentes à taxa do
Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, calculados desde 1o
de janeiro do ano subseqüente àquele em que não foi atingido o percentual até a
data da efetiva aplicação.
§ 1o A pessoa jurídica beneficiária do Padis deverá
efetuar a aplicação referida no caput
deste artigo até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente àquele em
que não foi atingido o percentual.
§ 2o Na hipótese do caput deste artigo, a não realização da aplicação ali
referida, no prazo previsto no § 1o deste artigo, obriga o
contribuinte ao pagamento:
I – de juros e
multa de mora, na forma da lei, referentes às contribuições e ao imposto não
pagos em decorrência das disposições dos incisos I e II do caput do art. 4o desta Lei; e
II – do imposto
de renda e dos adicionais não pagos em função do disposto no inciso III do caput do art. 4o
desta Lei, acrescido de juros e multa de mora, na forma da lei.
§ 3o Os juros e multa de que trata o inciso I do §
2o deste artigo serão recolhidos isoladamente e devem ser
calculados:
I – a partir
da data da efetivação da venda, no caso do inciso I do
caput do art. 4o desta Lei, ou a partir da data da saída do
produto do estabelecimento industrial, no caso do inciso
II do caput do art. 4o desta Lei; e
II – sobre
o valor das contribuições e do imposto não recolhidos, proporcionalmente à
diferença entre o percentual mínimo de aplicações em pesquisa e desenvolvimento
fixado e o efetivamente efetuado.
§ 4o Os pagamentos efetuados na forma dos §§ 2o
e 3o deste artigo não desobrigam a pessoa jurídica
beneficiária do Padis do dever de efetuar a aplicação no FNDCT (CT-Info ou
CT-Amazônia), na forma do caput
deste artigo.
§ 5o A falta ou irregularidade do recolhimento
previsto no § 2o deste artigo sujeita a pessoa jurídica a
lançamento de ofício, com aplicação de multa de ofício na forma da lei.
§ 6o O descumprimento das disposições deste artigo
sujeita a pessoa jurídica às disposições do art. 9o
desta Lei.
Seção V
Da Suspensão e do Cancelamento da Aplicação do Padis
Art. 9o A pessoa jurídica
beneficiária do Padis será punida, a qualquer tempo, com a suspensão da
aplicação dos arts. 3o e 4o
desta Lei, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas, no caso das
seguintes infrações:
I – não apresentação ou
não aprovação dos relatórios de que trata o art. 7o
desta Lei;
II – descumprimento
da obrigação de efetuar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, na forma
do art. 6o desta Lei, observadas as
disposições do seu art. 8o;
III – infringência
aos dispositivos de regulamentação do Padis; ou
IV – irregularidade
em relação a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita
Federal ou pela Secretaria da Receita Previdenciária.
§ 1o A suspensão de que trata o caput deste artigo converter-se-á em
cancelamento da aplicação dos arts. 3o e 4o desta Lei, no caso de a pessoa jurídica
beneficiária do Padis não sanar a infração no prazo de 90 (noventa) dias
contado da notificação da suspensão.
§ 2o A pessoa jurídica que der causa a 2 (duas) suspensões
em prazo inferior a 2 (dois) anos será punida com o cancelamento da aplicação
dos arts. 3o e 4o
desta Lei.
§ 3o A penalidade de cancelamento da aplicação
somente poderá ser revertida após 2 (dois) anos de sanada a infração que a
motivou.
§ 4o O Poder Executivo regulamentará as disposições deste
artigo.
Seção VI
Disposições Gerais
Art. 10. O Ministério da Ciência e Tecnologia deverá comunicar à Secretaria da Receita Federal os casos de:
I – descumprimento
pela pessoa jurídica beneficiária do Padis da obrigação de encaminhar os
relatórios demonstrativos, no prazo disposto no art. 7o
desta Lei, ou da obrigação de aplicar no FNDCT (CT-Info ou CT-Amazônia), na
forma do caput do art. 8o desta Lei, observado o prazo do seu
§ 1o, quando não for alcançado o percentual mínimo de
investimento em pesquisa e desenvolvimento;
II – não
aprovação dos relatórios demonstrativos de que trata o art. 7o
desta Lei; e
III – infringência aos dispositivos de regulamentação do Padis.
Parágrafo único. Os casos previstos no inciso I do caput deste artigo devem ser comunicados até 30 de agosto de cada ano civil, os demais casos até 30 (trinta) dias após a apuração da ocorrência.
Art. 11. O Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgarão, a cada 3 (três) anos, relatório com os resultados econômicos e tecnológicos advindos da aplicação das disposições deste Capítulo.
Parágrafo único. O Poder Executivo divulgará, também, as modalidades e os montantes de incentivos concedidos e aplicações em P&D por empresa beneficiária e por projeto, na forma do regulamento.
CAPÍTULO II
DO APOIO AO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DA INDÚSTRIA DE EQUIPAMENTOS PARA A TV DIGITAL
Seção I
Do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para a TV Digital
Art. 12. Fica instituído o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Equipamentos para TV Digital – PATVD, nos termos e condições estabelecidas por esta Lei.
Art. 13. É beneficiária do PATVD a pessoa jurídica que realize investimento em pesquisa e desenvolvimento – P&D na forma do art. 17 desta Lei e que exerça as atividades de desenvolvimento e fabricação de equipamentos transmissores de sinais por radiofreqüência para televisão digital, classificados no código 8525.50.2 da NCM.
§ 1o Para efeitos deste artigo, a pessoa jurídica
de que trata o caput deste
artigo deve cumprir Processo Produtivo Básico – PPB estabelecido por portaria
interministerial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior e do Ministério da Ciência e Tecnologia ou, alternativamente, atender
aos critérios de bens desenvolvidos no País definidos por portaria do
Ministério da Ciência e Tecnologia.
§ 2o O investimento em pesquisa
e desenvolvimento e o exercício das atividades de que trata o caput deste artigo devem ser efetuados de
acordo com projetos aprovados na forma do art. 16 desta
Lei.
Da Aplicação do PATVD
Art. 14.
No caso de venda no mercado interno ou de importação de
máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, para incorporação ao
ativo imobilizado da pessoa jurídica adquirente no mercado interno ou
importadora, destinados à fabricação dos equipamentos de que trata o caput do art. 13 desta Lei, ficam
reduzidas a 0 (zero) as alíquotas: (Vigência)
I – da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita da pessoa jurídica vendedora quando a aquisição for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do PATVD;
II – da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação quando a importação for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do PATVD; e
III – do IPI incidente na importação ou na saída do estabelecimento industrial ou equiparado quando a importação ou a aquisição no mercado interno for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do PATVD.
§ 1o As reduções de alíquotas previstas no caput deste artigo alcançam também as
ferramentas computacionais (softwares) e os insumos destinados à fabricação dos
equipamentos de que trata o art. 13 desta Lei quando
adquiridos no mercado interno ou importados por pessoa jurídica beneficiária do
PATVD.
§ 2o As reduções de alíquotas de que tratam o caput e o § 1o deste
artigo alcançam somente bens ou insumos relacionados em ato do Poder Executivo.
§ 3o Fica reduzida a 0 (zero) a alíquota da
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE destinada a financiar o
Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação
de que trata o art.
2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas
remessas destinadas ao exterior para pagamento de contratos relativos à
exploração de patentes ou de uso de marcas e de fornecimento de tecnologia e
prestação de assistência técnica, quando efetuadas por pessoa jurídica
beneficiária do PATVD e vinculadas às atividades de que trata o art.
13 desta Lei.
§ 4o Para efeitos deste artigo, equipara-se ao
importador a pessoa jurídica adquirente de bens estrangeiros, no caso de
importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica
importadora.
§ 5o Poderá também ser reduzida a 0 (zero) a
alíquota do Imposto de Importação – II incidente sobre máquinas, aparelhos,
instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em ato do Poder Executivo e
nas condições e pelo prazo nele fixados, importados por pessoa jurídica
beneficiária do PATVD para incorporação ao seu ativo imobilizado e destinados
às atividades de que trata o art. 13 desta Lei.
Art. 15. Nas vendas dos equipamentos transmissores de que trata o art. 13 desta Lei efetuadas por pessoa jurídica beneficiária do PATVD, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas: (Vigência)
I – da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas auferidas; e
II – do IPI incidente sobre a saída do estabelecimento industrial.
Parágrafo único. As reduções de alíquotas de que trata este artigo não se aplicam cumulativamente com outras reduções ou benefícios relativos ao mesmo imposto ou às mesmas contribuições.
Seção III
Da Aprovação dos Projetos
Art. 16. Os projetos referidos no § 2o do art. 13 desta Lei devem ser aprovados em ato conjunto do
Ministério da Fazenda, do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos termos e condições
estabelecidas pelo Poder Executivo.
§ 1o A aprovação do projeto fica condicionada à
comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica interessada em relação aos
tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e
pela Secretaria da Receita Previdenciária.
§ 2o O Poder Executivo estabelecerá, em
regulamento, os procedimentos e prazos para apreciação dos projetos.
Do Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento
Art. 17. A pessoa jurídica beneficiária do PATVD deverá investir, anualmente, em atividades de pesquisa e desenvolvimento a serem realizadas no País, no mínimo, 2,5% (dois e meio por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno, deduzidos os impostos incidentes na comercialização dos equipamentos transmissores de que trata o art. 13 desta Lei.
§ 1o Serão admitidos apenas investimentos em
atividades de pesquisa e desenvolvimento dos equipamentos referidos no art. 13 desta Lei, de software e de insumos para tais
equipamentos.
§ 2o No mínimo 1% (um por cento) do faturamento
bruto, deduzidos os impostos incidentes na comercialização na forma do caput deste artigo, deverá ser aplicado
mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades
brasileiras de ensino, oficiais ou reconhecidas, credenciados pelo Cati ou pelo
CAPDA.
§ 3o A propriedade intelectual resultante da
pesquisa e desenvolvimento realizados mediante os projetos aprovados nos termos
deste Capítulo deve ter a proteção requerida no território nacional ao órgão
competente, conforme o caso, pela pessoa jurídica brasileira beneficiária do
PATVD.
Art. 18. A pessoa jurídica beneficiária do PATVD deverá encaminhar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, até 31 de julho de cada ano civil, os relatórios demonstrativos do cumprimento, no ano anterior, das obrigações e condições estabelecidas no art. 17 desta Lei.
Art. 19. No caso de os investimentos em pesquisa e desenvolvimento
previstos no art. 17 desta Lei não atingirem, em um determinado ano, o
percentual mínimo fixado, a pessoa jurídica beneficiária do PATVD deverá
aplicar o valor residual no FNDCT (CT-Info ou CT-Amazônia) acrescido de multa
de 20% (vinte por cento) e de juros equivalentes à taxa Selic calculados desde
1o de janeiro do ano subseqüente àquele em que não foi
atingido o percentual até a data da efetiva aplicação.
§ 1o A pessoa jurídica beneficiária do PATVD deverá
efetuar a aplicação referida no caput
deste artigo até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente àquele em
que não foi atingido o percentual.
§ 2o Na hipótese do caput deste artigo, a não realização da aplicação ali
referida no prazo previsto no § 1o deste artigo obriga o
contribuinte ao pagamento de juros e multa de mora, na forma da lei, referentes
às contribuições e ao imposto não pagos em decorrência das disposições dos incisos I e II do caput
do art. 15 desta Lei.
§ 3o Os juros e multa de que trata o § 2o
deste artigo serão recolhidos isoladamente e devem ser calculados:
I – a partir da data da efetivação da venda, no caso do inciso I do caput do art. 15 desta Lei, ou a partir da data da saída do produto do estabelecimento industrial, no caso do inciso II do caput do art. 15 desta Lei; e
II – sobre o valor das contribuições e do imposto não recolhidos proporcionalmente à diferença entre o percentual mínimo de aplicações em pesquisa e desenvolvimento fixado e o efetivamente efetuado.
§ 4o Os pagamentos efetuados na forma dos §§ 2o
e 3o deste artigo não desobrigam a pessoa jurídica
beneficiária do PATVD do dever de efetuar a aplicação no FNDCT (CT-Info ou
CT-Amazônia) na forma do caput
deste artigo.
§ 5o A falta ou irregularidade do recolhimento previsto no
§ 2o deste artigo sujeita a pessoa jurídica a lançamento de
ofício, com aplicação de multa de ofício na forma da lei.
§ 6o O descumprimento das disposições deste artigo
sujeita a pessoa jurídica às disposições do art. 20 desta Lei.
Seção V
Da Suspensão e do Cancelamento da Aplicação do PATVD
Art. 20. A pessoa jurídica beneficiária do PATVD será punida, a qualquer tempo, com a suspensão da aplicação dos arts. 14 e 15 desta Lei, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas, no caso das seguintes infrações:
I – descumprimento
das condições estabelecidas no § 1o do art.
13 desta Lei;
II – descumprimento da obrigação de efetuar investimentos em pesquisa e desenvolvimento na forma do art. 17 desta Lei, observadas as disposições do art. 19 desta Lei;
III – não apresentação ou não aprovação dos relatórios de que trata o art. 18 desta Lei;
IV – infringência
aos dispositivos de regulamentação do PATVD; ou
V – irregularidade em relação a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal ou pela Secretaria da Receita Previdenciária.
§ 1o A suspensão de que trata o caput deste artigo converte-se em cancelamento
da aplicação dos arts. 14 e 15 desta
Lei no caso de a pessoa jurídica beneficiária do PATVD não sanar a infração no
prazo de 90 (noventa) dias contado da notificação da suspensão.
§ 2o A pessoa jurídica que der causa a 2 (duas)
suspensões em prazo inferior a 2 (dois) anos será punida com o cancelamento da
aplicação dos arts. 14 e 15 desta
Lei.
§ 3o A penalidade de cancelamento da aplicação
somente poderá ser revertida após 2 (dois) anos de sanada a infração que a
motivou.
§ 4o O Poder Executivo regulamentará as disposições
deste artigo.
Seção VI
Disposições Gerais
Art. 21. O Ministério da Ciência e Tecnologia deverá comunicar à Secretaria da Receita Federal os casos de:
I – descumprimento
pela pessoa jurídica beneficiária do PATVD:
a) das condições
estabelecidas no § 1o do art. 13 desta
Lei;
b) da obrigação
de encaminhar os relatórios demonstrativos, no prazo de que trata o art. 18
desta Lei, ou da obrigação de aplicar no FNDCT (CT-Info ou CT-Amazônia), na
forma do caput do art. 19 desta Lei, observado o prazo do seu § 1o
quando não for alcançado o percentual mínimo de investimento em pesquisa e
desenvolvimento;
II – não
aprovação dos relatórios demonstrativos de que trata o art. 18
desta Lei; e
III – infringência aos dispositivos de regulamentação do PATVD.
Parágrafo único. Os casos previstos na alínea b do inciso I do caput deste artigo devem ser comunicados até 30 de agosto de cada ano civil, e os demais casos, até 30 (trinta) dias após a apuração da ocorrência.
Art. 22. O Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgarão, a cada 3 (três) anos, relatório com os resultados econômicos e tecnológicos advindos da aplicação das disposições deste Capítulo.
Parágrafo único. O Poder Executivo divulgará, também, as modalidades e os montantes de incentivos concedidos e aplicações em P&D por empresa beneficiária e por projeto, na forma do regulamento.
CAPÍTULO III
Seção I
Das Definições
Art. 23. Este Capítulo estabelece as condições de proteção das topografias de circuitos integrados.
Art. 24. Os direitos estabelecidos neste Capítulo são assegurados:
I - aos
nacionais e aos estrangeiros domiciliados no País; e
II - às pessoas domiciliadas em país que, em reciprocidade, conceda aos brasileiros ou pessoas domiciliadas no Brasil direitos iguais ou equivalentes.
Art. 25. O disposto neste Capítulo aplica-se também aos pedidos de registro provenientes do exterior e depositados no País por quem tenha proteção assegurada por tratado em vigor no Brasil.
Art. 26. Para os fins deste Capítulo, adotam-se as seguintes definições:
I – circuito integrado significa um produto, em forma final ou intermediária, com elementos dos quais pelo menos um seja ativo e com algumas ou todas as interconexões integralmente formadas sobre uma peça de material ou em seu interior e cuja finalidade seja desempenhar uma função eletrônica;
II – topografia de circuitos integrados significa uma série de imagens relacionadas, construídas ou codificadas sob qualquer meio ou forma, que represente a configuração tridimensional das camadas que compõem um circuito integrado, e na qual cada imagem represente, no todo ou em parte, a disposição geométrica ou arranjos da superfície do circuito integrado em qualquer estágio de sua concepção ou manufatura.
Seção II
Da Titularidade do Direito
Art. 27. Ao criador da topografia de circuito integrado será assegurado o registro que lhe garanta a proteção nas condições deste Capítulo.
§ 1o Salvo prova em contrário, presume-se criador o
requerente do registro.
§ 2o Quando se tratar de topografia criada
conjuntamente por 2 (duas) ou mais pessoas, o registro poderá ser requerido por
todas ou quaisquer delas mediante nomeação e qualificação das demais para
ressalva dos respectivos direitos.
§ 3o A proteção poderá ser requerida em nome
próprio, pelos herdeiros ou sucessores do criador, pelo cessionário ou por
aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho, de prestação de serviços ou de
vínculo estatutário determinar que pertença a titularidade, dispensada a
legalização consular dos documentos pertinentes.
Art. 28. Salvo estipulação em contrário, pertencerão exclusivamente ao empregador, contratante de serviços ou entidade geradora de vínculo estatutário os direitos relativos à topografia de circuito integrado desenvolvida durante a vigência de contrato de trabalho, de prestação de serviços ou de vínculo estatutário, em que a atividade criativa decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos ou quando houver utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais ou de negócios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador, contratante de serviços ou entidade geradora do vínculo.
§ 1o Ressalvado ajuste em contrário, a compensação
do trabalho ou serviço prestado limitar-se-á à remuneração convencionada.
§ 2o Pertencerão exclusivamente ao empregado, prestador
de serviços ou servidor público os direitos relativos à topografia de circuito
integrado desenvolvida sem relação com o contrato de trabalho ou de prestação
de serviços e sem a utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos
industriais ou de negócios, materiais, instalações ou equipamentos do
empregador, contratante de serviços ou entidade geradora de vínculo
estatutário.
§ 3o O disposto neste artigo também se aplica a
bolsistas, estagiários e assemelhados.
Seção III
Das Topografias Protegidas
Art. 29. A proteção prevista neste Capítulo só se aplica à topografia que seja original, no sentido de que resulte do esforço intelectual do seu criador ou criadores e que não seja comum ou vulgar para técnicos, especialistas ou fabricantes de circuitos integrados, no momento de sua criação.
§ 1o Uma topografia que resulte de uma combinação
de elementos e interconexões comuns ou que incorpore, com a devida autorização,
topografias protegidas de terceiros somente será protegida se a combinação,
considerada como um todo, atender ao disposto no caput deste artigo.
§ 2o A proteção não será conferida aos conceitos,
processos, sistemas ou técnicas nas quais a topografia se baseie ou a qualquer
informação armazenada pelo emprego da referida proteção.
§ 3o A proteção conferida neste Capítulo independe
da fixação da topografia.
Art. 30. A proteção depende do registro, que será efetuado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI.
Seção IV
Do Pedido de Registro
Art. 31. O pedido de registro deverá referir-se a uma única topografia e atender às condições legais regulamentadas pelo Inpi, devendo conter:
I – requerimento;
II – descrição
da topografia e de sua correspondente função;
III – desenhos ou fotografias da topografia, essenciais para permitir sua identificação e caracterizar sua originalidade;
IV – declaração
de exploração anterior, se houver, indicando a data de seu início; e
V – comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito do pedido de registro.
Parágrafo único. O requerimento e qualquer documento que o acompanhe deverão ser apresentados em língua portuguesa.
Art. 32. A requerimento do depositante, por ocasião do depósito, o pedido poderá ser mantido em sigilo, pelo prazo de 6 (seis) meses, contado da data do depósito, após o que será processado conforme disposto neste Capítulo.
Parágrafo único. Durante o período de sigilo, o pedido poderá ser retirado, com devolução da documentação ao interessado, sem produção de qualquer efeito, desde que o requerimento seja apresentado ao Inpi até 1 (um) mês antes do fim do prazo de sigilo.
Art. 33. Protocolizado o pedido de registro, o Inpi fará exame formal, podendo formular exigências as quais deverão ser cumpridas integralmente no prazo de 60 (sessenta) dias, sob pena de arquivamento definitivo do pedido.
Parágrafo
único. Será também definitivamente arquivado o pedido que
indicar uma data de início de exploração anterior a 2 (dois) anos da data do
depósito.
Art. 34. Não havendo exigências ou sendo elas cumpridas integralmente, o Inpi concederá o registro, publicando-o na íntegra e expedindo o respectivo certificado.
Parágrafo único. Do certificado de registro deverão constar o
número e a data do registro, o nome, a nacionalidade e o domicílio do titular,
a data de início de exploração, se houver, ou do depósito do pedido de registro
e o título da topografia.
Seção V
Dos Direitos Conferidos pela Proteção
Art. 35.
A proteção da topografia será concedida por 10 (dez) anos
contados da data do depósito ou da 1a (primeira) exploração,
o que tiver ocorrido primeiro.
Art. 36. O registro de topografia de circuito integrado confere ao seu titular o direito exclusivo de explorá-la, sendo vedado a terceiros sem o consentimento do titular:
I – reproduzir a topografia, no todo ou em parte, por qualquer meio, inclusive incorporá-la a um circuito integrado;
II – importar, vender ou distribuir por outro modo, para fins comerciais, uma topografia protegida ou um circuito integrado no qual esteja incorporada uma topografia protegida; ou
III – importar, vender ou distribuir por outro modo, para fins comerciais, um produto que incorpore um circuito integrado no qual esteja incorporada uma topografia protegida, somente na medida em que este continue a conter uma reprodução ilícita de uma topografia.
Parágrafo único. A realização de qualquer dos atos previstos neste artigo por
terceiro não autorizado, entre a data do início da exploração ou do depósito do
pedido de registro e a data de concessão do registro, autorizará o titular a
obter, após a dita concessão, a indenização que vier a ser fixada
judicialmente.
Art. 37. Os efeitos da proteção prevista no art. 36 desta Lei não se aplicam:
I – aos atos praticados por terceiros não autorizados com finalidade de análise, avaliação, ensino e pesquisa;
II – aos atos que consistam na criação ou exploração de uma topografia que resulte da análise, avaliação e pesquisa de topografia protegida, desde que a topografia resultante não seja substancialmente idêntica à protegida;
III – aos atos que consistam na importação, venda ou distribuição por outros meios, para fins comerciais ou privados, de circuitos integrados ou de produtos que os incorporem, colocados em circulação pelo titular do registro de topografia de circuito integrado respectivo ou com seu consentimento; e
IV – aos atos descritos nos incisos II e III do caput do art. 36 desta Lei, praticados ou determinados por quem não sabia, por ocasião da obtenção do circuito integrado ou do produto, ou não tinha base razoável para saber que o produto ou o circuito integrado incorpora uma topografia protegida, reproduzida ilicitamente.
§ 1o No caso do inciso IV do caput deste artigo,
após devidamente notificado, o responsável pelos atos ou por sua determinação
poderá efetuar tais atos com relação aos produtos ou circuitos integrados em
estoque ou previamente encomendados, desde que, com relação a esses produtos ou
circuitos, pague ao titular do direito a remuneração equivalente à que seria
paga no caso de uma licença voluntária.
§ 2o O titular do registro de topografia de
circuito integrado não poderá exercer os seus direitos em relação a uma
topografia original idêntica que tiver sido criada de forma independente por um
terceiro.
Seção VI
Da Extinção do Registro
Art. 38. O registro extingue-se:
I – pelo término do prazo de
vigência; ou
II – pela renúncia do seu titular, mediante documento hábil, ressalvado o direito de terceiros.
Parágrafo único. Extinto o registro, o objeto da proteção cai no domínio público.
Seção VII
Da Nulidade
Art. 39. O registro de topografia de circuito integrado será declarado
nulo judicialmente se concedido em desacordo com as disposições deste Capítulo,
especialmente quando:
I – a presunção
do § 1o do art. 27 desta Lei provar-se
inverídica;
II – a topografia não atender ao requisito de originalidade consoante o art. 29 desta Lei;
III – os documentos apresentados conforme disposto no art. 31 desta Lei não forem suficientes para identificar a topografia; ou
IV – o pedido de registro não tiver sido depositado no prazo definido no parágrafo único do art. 33 desta Lei.
§ 1o A nulidade poderá ser total ou parcial.
§ 2o A nulidade parcial só ocorre quando a parte
subsistente constitui matéria protegida por si mesma.
§ 3o A nulidade do registro produzirá efeitos a
partir da data do início de proteção definida no art. 35
desta Lei.
§ 4o No caso de inobservância do disposto no § 1o
do art. 27 desta Lei, o criador poderá, alternativamente,
reivindicar a adjudicação do registro.
§ 5o A argüição de nulidade somente poderá ser
formulada durante o prazo de vigência da proteção ou, como matéria de defesa, a
qualquer tempo.
§ 6o É competente para as ações de nulidade a Justiça
Federal com jurisdição sobre a sede do Instituto Nacional de Propriedade
Industrial – INPI, o qual será parte necessária no feito.
Art. 40. Declarado nulo o registro, será cancelado o respectivo certificado.
Seção VIII
Das Cessões e das Alterações no Registro
Art. 41. Os direitos sobre a topografia de circuito integrado poderão ser objeto de cessão.
§ 1o A cessão poderá ser total ou parcial, devendo,
neste caso, ser indicado o percentual correspondente.
§ 2o O documento de cessão deverá conter as
assinaturas do cedente e do cessionário, bem como de 2 (duas) testemunhas,
dispensada a legalização consular.
Art. 42. O Inpi fará as seguintes anotações:
I – da cessão,
fazendo constar a qualificação completa do cessionário;
II – de qualquer
limitação ou ônus que recaia sobre o registro; e
III – das alterações de nome, sede ou endereço do titular.
Art. 43. As anotações produzirão efeitos em relação a terceiros depois de publicadas no órgão oficial do Inpi ou, à falta de publicação, 60 (sessenta) dias após o protocolo da petição.
Seção IX
Das Licenças e do Uso Não Autorizado
Art. 44. O titular do registro de topografia de circuito integrado poderá celebrar contrato de licença para exploração.
Parágrafo único. Inexistindo disposição em contrário, o licenciado ficará investido de legitimidade para agir em defesa do registro.
Art. 45. O Inpi averbará os contratos de licença para produzir efeitos em relação a terceiros.
Art. 46. Salvo estipulação contratual em contrário, na hipótese de licenças cruzadas, a remuneração relativa a topografia protegida licenciada não poderá ser cobrada de terceiros que adquirirem circuitos integrados que a incorporem.
Parágrafo único. A cobrança ao terceiro adquirente do circuito integrado somente será admitida se esse, no ato da compra, for expressamente notificado desta possibilidade.
Art. 47. O Poder Público poderá fazer uso público não comercial das topografias protegidas, diretamente ou mediante contratação ou autorização a terceiros, observado o previsto nos incisos III a VI do caput do art. 49 e no art. 51 desta Lei.
Parágrafo único. O titular do registro da topografia a ser usada pelo Poder
Público nos termos deste artigo deverá ser prontamente notificado.
Art. 48. Poderão ser concedidas licenças compulsórias para assegurar a livre concorrência ou prevenir abusos de direito ou de poder econômico pelo titular do direito, inclusive o não atendimento do mercado quanto a preço, quantidade ou qualidade.
Art. 49. Na concessão das licenças compulsórias deverão ser obedecidas as seguintes condições e requisitos:
I – o pedido de
licença será considerado com base no seu mérito individual;
II – o requerente da licença deverá demonstrar que resultaram infrutíferas, em prazo razoável, as tentativas de obtenção da licença em conformidade com as práticas comerciais normais;
III – o alcance e a duração da licença serão restritos ao objetivo para o qual a licença for autorizada;
IV – a licença
terá caráter de não-exclusividade;
V – a licença será intransferível, salvo se em conjunto com a cessão, alienação ou arrendamento do empreendimento ou da parte que a explore; e
VI – a licença será concedida para suprir predominantemente o mercado interno.
§ 1o As condições estabelecidas nos incisos II e VI
do caput deste artigo não se aplicam quando a licença for concedida para remediar
prática anticompetitiva ou desleal, reconhecida em processo administrativo ou
judicial.
§ 2o As condições estabelecidas no inciso II do
caput deste artigo também não se aplicam quando a licença for concedida em caso
de emergência nacional ou de outras circunstâncias de extrema urgência.
§ 3o Nas situações de emergência nacional ou em
outras circunstâncias de extrema urgência, o titular dos direitos será
notificado tão logo quanto possível.
Art. 50. O pedido de licença compulsória deverá ser formulado mediante indicação das condições oferecidas ao titular do registro.
§ 1o Apresentado o pedido de licença, o titular
será intimado para manifestar-se no prazo de 60 (sessenta) dias, findo o qual,
sem manifestação do titular, considerar-se-á aceita a proposta nas condições
oferecidas.
§ 2o O requerente de licença que invocar prática
comercial anticompetitiva ou desleal deverá juntar documentação que a comprove.
§ 3o Quando a licença compulsória requerida com
fundamento no art. 48 desta Lei envolver alegação de
ausência de exploração ou exploração ineficaz, caberá ao titular do registro
comprovar a improcedência dessa alegação.
§ 4o Em caso de contestação, o Inpi realizará as diligências
indispensáveis à solução da controvérsia, podendo, se necessário, designar
comissão de especialistas, inclusive de não integrantes do quadro da autarquia.
Art. 51. O titular deverá ser adequadamente remunerado segundo as circunstâncias de cada uso, levando-se em conta, obrigatoriamente, no arbitramento dessa remuneração, o valor econômico da licença concedida.
Parágrafo único. Quando a concessão da licença se der com fundamento em prática anticompetitiva ou desleal, esse fato deverá ser tomado em consideração para estabelecimento da remuneração.
Art. 52. Sem prejuízo da proteção adequada dos legítimos interesses dos licenciados, a licença poderá ser cancelada, mediante requerimento fundamentado do titular dos direitos sobre a topografia, quando as circunstâncias que ensejaram a sua concessão deixarem de existir, e for improvável que se repitam.
Parágrafo único. O cancelamento previsto no caput
deste artigo poderá ser recusado se as condições que propiciaram a concessão da
licença tenderem a ocorrer novamente.
Art. 53. O licenciado deverá iniciar a exploração do objeto da proteção no prazo de 1 (um) ano, admitida:
I – 1 (uma) prorrogação, por igual prazo, desde que tenha o licenciado realizado substanciais e efetivos preparativos para iniciar a exploração ou existam outras razões que a legitimem;
II – 1 (uma) interrupção da exploração, por igual prazo, desde que sobrevenham razões legítimas que a justifiquem.
§ 1o As exceções previstas nos incisos I e II do
caput deste artigo somente poderão ser exercitadas mediante requerimento ao
Inpi, devidamente fundamentado e no qual se comprovem as alegações que as
justifiquem.
§ 2o Vencidos os prazos referidos no caput deste artigo e seus incisos sem que
o licenciado inicie ou retome a exploração, extinguir-se-á a licença.
Art. 54. Comete crime de violação de direito do titular de topografia de circuito integrado quem, sem sua autorização, praticar ato previsto no art. 36 desta Lei, ressalvado o disposto no art. 37 desta Lei.
§ 1o Se a violação consistir na reprodução,
importação, venda, manutenção em estoque ou distribuição, para fins comerciais,
de topografia protegida ou de circuito integrado que a incorpore:
Pena:
detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 2o A pena de detenção será acrescida de 1/3 (um
terço) à 1/2 (metade) se:
I – o agente for ou tiver sido representante, mandatário, preposto, sócio ou empregado do titular do registro ou, ainda, do seu licenciado; ou
II – o agente incorrer em reincidência.
§ 3o O valor das multas, bem como sua atualização
ou majoração, será regido pela sistemática do Decreto-Lei no
2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal.
§ 4o Nos crimes previstos neste artigo somente se
procede mediante queixa, salvo quando praticados em prejuízo de entidade de
direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou fundação
instituída pelo poder público.
§ 5o Independentemente da ação penal, o prejudicado
poderá intentar ação para proibir ao infrator a prática do ato incriminado, com
a cominação de pena pecuniária para o caso de transgressão do preceito,
cumulada de perdas e danos.
Seção X
Disposições Gerais
Art. 55. Os atos previstos neste Capítulo serão praticados pelas partes ou por seus procuradores, devidamente habilitados.
§ 1o O instrumento de procuração redigido em idioma
estrangeiro, dispensada a legalização consular, deverá ser acompanhado por
tradução pública juramentada.
§ 2o Quando não apresentada inicialmente, a
procuração deverá ser entregue no prazo de 60 (sessenta) dias do protocolo do
pedido de registro, sob pena de arquivamento definitivo.
Art. 56. Para os fins deste Capítulo, a pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter procurador, devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações.
Art. 57. O Inpi não conhecerá da petição:
I – apresentada
fora do prazo legal;
II – apresentada
por pessoa sem legítimo interesse na relação processual; ou
III – desacompanhada do comprovante de pagamentos da respectiva retribuição no valor vigente à data de sua apresentação.
Art. 58. Não havendo expressa estipulação contrária neste Capítulo, o prazo para a prática de atos será de 60 (sessenta) dias.
Art. 59. Os prazos estabelecidos neste Capítulo são contínuos, extinguindo-se automaticamente o direito de praticar o ato após seu decurso, salvo se a parte provar que não o realizou por razão legítima.
Parágrafo único. Reconhecida a razão legítima, a parte praticará o ato no prazo que lhe assinalar o Inpi.
Art. 60. Os prazos referidos neste Capítulo começam a
correr, salvo expressa disposição em contrário, a partir do 1o
(primeiro) dia útil após a intimação.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, a intimação será feita mediante publicação no órgão oficial do Inpi.
Art. 61. Pelos serviços prestados de acordo com este Capítulo será cobrada retribuição, cujo valor e processo de recolhimento serão estabelecidos em ato do Ministro de Estado a que estiver vinculado o Inpi.
CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 62. O caput do art. 24 da Lei no 8.666, de
21 de junho de 1993, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso XXVIII:
(Vigência)
“Art. 24. ......................................................
...................................................................
XXVIII – para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou prestados no País, que envolvam, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante parecer de comissão especialmente designada pela autoridade máxima do órgão.
...................................................................
” (NR)
Art. 64. As disposições do art. 3o e dos incisos I e II do caput do art. 4o desta Lei
vigorarão até 22 de janeiro de 2022.
Art. 65. As disposições do § 3o do art.
3o e do inciso III do caput do art. 4o desta Lei
vigorarão por:
I – 16 (dezesseis) anos, contados da data de aprovação do projeto, no caso dos projetos que alcancem as atividades referidas nas alíneas:
a) a ou b do
inciso I do caput do art. 2o desta Lei; ou
b) a ou b do
inciso II do caput do art. 2o desta Lei;
II – 12 (doze) anos, contados da data de aprovação do projeto, no caso dos projetos que alcancem somente as atividades referidas nas alíneas:
a) c do inciso I
do caput do art. 2o desta Lei; ou
b) c do inciso
II do caput do art. 2o desta Lei.
III - 14 (quatorze) anos, contados da data
de aprovação do projeto, no caso dos projetos que cumpram o Processo Produtivo
Básico referido no inciso III do caput do Art. 2º. (Alterado pelo art. 57 da Lei nº 12.715, DOU 18/09/2012)(Alterado pelo art. 48 da Medida Provisória nº 563, DOU
04/04/2012)
Art. 66. As disposições dos arts. 14 e 15 desta Lei vigorarão até 22 de janeiro de 2017.
Art. 67. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao seu art. 62 a partir de 19 de fevereiro de 2007.
Brasília, 31 de maio de 2007; 186o
da Independência e 119o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
Miguel Jorge
Sergio Machado Rezende